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:: Terça-feira, Junho 14, 2005 ::
Ah, sim, estou com câmera nova, divertida, subutilizada e digital! Quem quiser conferir minhas fotos pra banda do Ivan, favor aparecer no www.expressorockcafe.ubbi.com.br, enquanto não arrumo um jeito de postar algumas por aqui. Engraçado, tô falando como se alguém ainda freqüentasse isso aqui, mas na verdade é pro caso de Donáurea e Seo Silveira aparecerem, ou algum outro amigo resolver conferir esse blog ainda respira. Até!
:: Seu Hernesto Machado 6:37 PM [+] ::
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Fala aê:
Ai, ai, vida tosca... como é que alguém pode sobreviver sufocado montanhas de chatices? Quem foi que inventou a faculdade? a monografia? Os trabalhos intermináveis que não dão prazer nem levam a lugar algum? Isso é uma armadilha, o conto do vigário, ou do vigarista... e eu, otário, caí.
:: Seu Hernesto Machado 6:31 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Abril 06, 2005 ::

Faça você também Que
gênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia
Incrível! Comigo nunca dá certo!!! Tô mais pra Amélie Poulain que pra Beethoven! Incompreendido, mas admirado? Por quem? Eu, hein!
:: Seu Hernesto Machado 3:48 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Dezembro 02, 2004 ::
ENCONTROS E DESENCONTROS, DE SOFIA COPPOLA
:: Seu Hernesto Machado 5:08 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Outubro 04, 2004 ::
Confesso, fiquei paranóica. Uma árvore enorme numa rua onde passo todos os dias, toda coberta de flores amarelas formou um tapete enorme no chão. Vigiando pra ver se em algum momento eu conseguia estar a sós com o tapete, à vontade para rolar, pular e dormir sobre o dito cujo, mas cadê que o populacho saía da rua? Fiz muita hora fingindo esperar alguém, nada. Desconfio que também estavam com esse intuito, o moço da oficina de bicicletas, a mulher que vende revistas presas em pregadores de roupa, as criancinhas sujas e o homem do carrinho de churrasco de gato com sua gorda esposa. Devia ter corrido pra lá de madrugada, mas o sono não deixou. Devem ter colocado sonífero no churrasquinho.
:: Seu Hernesto Machado 12:33 PM [+] ::
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:: Quarta-feira, Agosto 04, 2004 ::
Ah, eu já escrevi um monte de coisa aqui, mas perdi e não estou com ânimo pra dizer mais nada sobre isso... Só vou lamentar ter nascido no tempo errado, em que os bons já se foram ou estão indo... Vou usar aqui as fotos que tinha guardado pra festejar o seu aniversário... Lamento mesmo ter vindo depois da hora e ficar sabendo só hoje que não está mais aqui desde o dia 2... Um beijo dos mais amorosos pra você, meu bom rapaz...
França, 1955. Itália, 1951
Henry e sua esposa, Retna Mohini. Autoretrato, 1987
NYC, 1946, foto de Edward Steichen
Henry Cartie-Bresson (foto de Joe Loengard), França, 1987.
:: Seu Hernesto Machado 10:18 PM [+] ::
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:: Segunda-feira, Agosto 02, 2004 ::
Ah, não, eu não sou aquela que vêem, aquela que diz distraidamente coisas sem fundamento, sofismas tapa-buraco, essa aí é uma que aparece para corresponder como cada um me pensa. Não, eu não sou tão condescendente quanto pareço, na verdade eu sou nada disso. Nem sou tão burra. Nem o máximo em qualquer coisa. Nem chego pro mínimo, em muitas. Parece impossível, mas eu penso muito. O tempo todo, por causa disso não consigo dormir. Por isso passo noites falando sozinha, andando pela casa, gesticulando abundantemente. Só adormeço quando amanhece e a pilha acaba. Mas não penso a maioria das coisas que digo, essas eu deixo pra poucos, na verdade varia com a lua o rosto do escolhido. Na verdade eu esqueço o que penso mesmo, quando tenho de dizer. E invento coisa qualquer de última hora. Eu sei, isso nem vale qualquer coisa, por isso passo os dias com os livros. Estou fugindo das imposições, confesso, sei que tenho um ritmo só meu. Lento (fazer o quê?!), mas um dia chego ao ponto da vez. Cansada de falsificar minha humanidade (palavra chata!), de correr desesperadamente atrás da lógica cega e burra dos gregos, por enquanto (Élie, hoje você tem uma aliada, talvez só por hoje, pode ser provisória, mas das mais leais). De saber de cor o melhor caminho, que na verdade nunca existiu. Hoje eu nem quero saber. Adoraria que me subornassem (de novo) com palha italiana e sol de tarde de inverno no gramado verdinho, uma tartaruga menor que a palma da minha mão, chamada Casquinha. Que idéias e princípios não podem valer mais que isso, não pra mim. Hoje.
:: Seu Hernesto Machado 4:34 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Julho 29, 2004 ::
Um domingo desses
Numa rua desconhecida com perfume de churrasco. Moço barrigudo e sem camisa parado observando no canto direito. Moça de rosa fala no canto oposto, olhando o seu vira-lata:
"Ih, Luizinho, resolveu dar uma de homenzinho agora, é? Não quer mais deixar outro cachorro subir em você?"
O bicho rosnava furioso para os outros dois que tentavam alcançar sua retaguarda, se defendendo como podia.
A moça para a mãe:
"Olha lá, mamãe, Luizinho agora resolveu que não vai mais deixar os outros cachorros fazerem safadeza com ele!"
A dona banhuda, com ar pesado, sério, encostada atrás do muro:
"Eu já disse pra ele, já falei, Luizinho, não deixa eles fazerem isso com você, rapaz, você tem que ser homem! Eu falei, agora ele ouve se quiser..." Como se falasse com o filho.
Enfim, o moço barrigudo toma uma atitude pra ajudar o pobre Luizinho, espanta os corruptos, que saem em alvoroço típico de filme do Jacques Tati, enquanto o casalzinho franzino passa dando risadinhas mal-contidas.
:: Seu Hernesto Machado 4:15 PM [+] ::
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SÓ PARA LEMBRAR:
HOJE FAZ UM ANO QUE DEFLOREI ÁUREA MARIA! QUEM QUISER SE LEMBRAR COMO FOI, QUE OLHE NOS ARQUIVOS! QUEM DIRIA, HEIN, DONA ÁUREA... NAQUELE TEMPO VOCÊ FEZ TANTO ESCÂNDALO POR UM SELINHO À TOA E HOJE NÃO SABE VIVER SEM AS BICOTAS DO RONNIE...
:: Seu Hernesto Machado 3:32 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Julho 02, 2004 ::
Como esses FILHOS-DA-PUTA AQUI DA ESTÁCIO DE SÁ não me deixam publicar comentário nos blogs dos meus amigos, eu vou botar aqui:
Ó Mr. Kelby, queria te dizer que tirando a reação exagerada, fiquei mesmo estupefacta com essa sua nova fase, eu tinha pensado em dar uma reforma na minha maneira de trabalhar, fazer uns cortes nas frases, elas estavam sujinhas demais, com ritmo quebrado, sem fluência, chaaaatas, mas quando vi os cortes profundos que você fez nas suas, que são muito mais ousados dos que eu imaginava fazer, fiquei impressionada (juro), está fluente (como você queria), limpo e claro, simplesmente não dá para tirar os olhos do texto até acabar! E está com um tom de conversa boa de botequim que faz o sujeito até esquecer a cerveja, a mulher cheia de bobes na cabeça quicando de ódio em casa, do tipo que faz a gente ficar a noite inteira escutando sem querer perder um detalhezinho sequer. Meu velho, isso que você faz está além de um simples exercício em terceiro pessoa, e bota além nisso.
:: Seu Hernesto Machado 11:43 AM [+] ::
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:: Segunda-feira, Junho 21, 2004 ::
"Parado no Museu Van Gogh em Amsterdã (dezembro de 1979), em frente ao quadro O quarto, completado em Arles em outubro de 1888.
Van Gogh para seu irmão: 'Desta vez é simplesmente meu quarto... Olhar para o quadro deveria repousar o cérebro, ou melhor, a imaginação...
'As paredes são violeta-claro. O chão é de lajotas vermelhas.
'A madeira da cama e das cadeiras é amarela como manteiga fresca, o lençol e o travesseiro são verde-claro.
'A colcha da cama escarlate. A janela verde.
'A mesa de toalete laranja, a pia azul.
'As portas lilás.
'E isso é tudo - não há nada nesse quarto com os postigos fechados...
'Isto é uma espécie de vingança pelo repouso forçado que fui obrigado a fazer...
'Farei também para você esboços dos outros quartos, algum dia.'
Quando A. continuou a examinar o quadro, porém, não pôde evitar a sensação de que Van Gogh havia feito algo muito diferente do que pensava ter decidido. A primeira impressão de A. foi de fato uma sensação de calma, de 'repouso', como descreve o artista. Mas aos poucos, ao tentar habitar o quarto mostrado na tela, ele começou a senti-lo como uma prisão, um espaço impossível, uma imagem não tanto de um lugar para se morar, mas da mente que foi obrigada a viver ali. Observe cuidadosamente. A cama bloqueia uma porta, uma cadeira bloqueia a outra porta, os postigos estão fechados: não se pode entrar, e quando se está lá dentro é impossível sair. Sufocado entre a mobília e os objetos cotidianos do quarto, você começa a ouvir um grito de dor nessa pintura, e quando o ouve, ele nãp pára. 'Gritei motivado por minha aflição. [...]' Mas não há resposta a esse grito. O homem nesse quadro 9e é um auto-retrato, nada diferente da pintura do rosto de um homem, com olhos, nariz, lábios e queixo) ficou sozinho demais, debateu-se demais nas profundezas da solidão. O mundo termina naquela porta atrás da barricada. Pois o quarto não é uma representação da solidão, é a própria substância da solidão. E é uma coisa tão pesada, tão irrespirável, que não pode ser exibida em quaisquer outros termos além do que é. 'E isso é tudo - não há nada nesse quarto com postigos fechados. [...]'"
Paul Auster - O Inventor da Solidão (O Livro da Memória)
:: Seu Hernesto Machado 6:15 PM [+] ::
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:: Quinta-feira, Junho 03, 2004 ::
Quero anunciar aqui que pretendemos lançar uma revista virtual, para exibir a quem tiver estômago os nossos fracassos no mundo fotográfico. Vai ter até nu artístico, a cargo do nosso ilustre e irresistivelmente garboso Sigmund Marfan. Isso se não der barraco entre nós (os velhos e desaparecidos integrantes do Quarto) de novo, e ataque de bichice, como sempre... Quem tiver estomazil (?), que compareça! Ah, já estava me esquecendo de dizer o mais importante! O nome! Ela foi batizada de "Foco na Vaquinha". Show, né? Idéia do Carlos Alberto. Adorei isso...
:: Seu Hernesto Machado 4:09 PM [+] ::
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:: Sexta-feira, Março 12, 2004 ::
Um texto das antigas pra esse blog não perecer:
Descobriu que havia mentira em pensar que a felicidade era proibida pra ela, seu coração não precisava tremer de pavor ao pensar nas grandes alegrias, que pareciam ter o poder de corromper a alma, viciá-la, escravizá-la para de repente, no meio de uma risada franca, sonora e abobalhada, descobrir que o clarão se extinguiu tão rapidamente quanto apareceu e tudo estava vazio, triste como antes. Depois se sentia idiota e pensava se havia realmente sinceridade no nascimento daquele ostentoso sorriso - achava sempre que não -, mas qual a importância de uma grande alegria, diante daquelas pequeninas que sempre a tomavam e secretamente lhe traziam, a passos furtivos e meio dançados, com uma espontaneidade puríssima e certeira, alguma quantidade de um prazerzinho de porcelana chinesa, que apesar de tão leve e delicado, durava por muito tempo - na verdade ele voltaria para sempre, era só desejar lembrar ou não esperar que viesse visitá-la.
E se isso não acontecia ela voltava a ser tristonha, aborrecida e angustiada, como mulher normal, exceto quando acordava e tinha a grande idéia de fazer um microestrondo de surpresa às pessoas que amava e a si, especialmente se pensasse que não havia mais motivo para vínculo, ou talvez aquilo pudesse não ter a mínima relevância para eles, pois era uma delícia a mais saber que seu espírito não secara, que ainda os queria por perto e que era correspondida.
:: Seu Hernesto Machado 1:05 PM [+] ::
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:: Terça-feira, Março 02, 2004 ::
Visitando o blog do Matheus, vi um link pra um teste, pra saber a que filme a sua personalidade corresponde. Num surto de mulherzice-intra-salonis-di-cabeleireirus, eu fiz. A confiabilidade do resultado? Sei não... Mas pra quem quiser fazer, taí o link:

Você é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver.
Faça você também Que
bom filme é você? Uma criação de O
Mundo Insano da Abyssinia
Eu? Engraçado? Original? Uma pessoa leve e maravilhosa de conviver? Rá!
(Mas do filme eu gosto)
:: Seu Hernesto Machado 5:20 PM [+] ::
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Como eu tô lendo "O Anticristo", e o Nietzsche é um velho e grande amigo dos meus bons companheiros, resolvi colocar o Prólogo desse livro aqui (de certa forma uma homenagem aos nossos):
"Este livro destina-se aos homens mais raros. Talvez nem possa encontrar um único sequer que ainda esteja vivo. Estariam eles entre os que compreendem o meu Zaratustra. Como poderia eu misturar-me com aqueles a quem hoje se presta ouvidos? Só o futuro me pertence. Há homens que nascem póstumos.
Conheço muito bem as qualidades que devo ter para que alguém me compreenda, aquelas que necessariamente o forçam a compreender-me. Para suportar a minha seriedade e a minha paixão é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até às últimas conseqüências; estar acostumado a viver nas montanhas, a ver abaixo de si o mesquinho charlatanismo atual da política e do egoísmo dos povos; e, finalmente, ter-se tornado indiferente e jamais perguntar se a verdade é útil, se chegará a ser uma fatalidade... Necessária é também uma inclinação para enfrentar questões que hoje ninguém se atreve a elucidar; inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto. É preciso que tenham uma experiência de sete solidões.
Ouvidos novos para uma música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até hoje permaneceram mudas. E uma vontade de economia de grande estilo: reunir a sua própria força, o seu próprio entusiasmo... O respeito por si mesmo, o amor-próprio, a liberdade absoluta para consigo...
Muito bem, só esses são os meus leitores, os meus verdadeiros leitores, os meus leitores predestinados: que importa o resto? O resto é somente a humanidade. É necessário ser superior à humanidade em força, em grandeza de alma - e em desprezo..."
Friedrich Nietzsche
:: Seu Hernesto Machado 3:26 PM [+] ::
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